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DOENÇAS EMERGENTES-CORONA VÍRUS

Considerando que os microrganismos são capazes de replicação rápida, mutação e adaptação em seu ambiente, a comunidade humana sempre será atormentada por doenças emergentes. Uma doença infecciosa emergente é uma preocupação recente da população, existiu no passado, e está aumentando rapidamente. Embora as ocorrências dessas doenças surjam sem explicação, raramente aparecem sem motivo (Morse 1995). Infecções emergentes e estirpes resistentes a antibióticos de bactérias geralmente se espalham de uma localização geográfica de origem para uma nova localização (Soares 1993). O agente infeccioso pode ser transportado por agentes ambientais, mecanismos físicos ou mecânicos. Nos últimos anos, as viagens aéreas causaram o aparecimento global de organismos anteriormente isolados. Além disso, a maioria das doenças emergentes humanas, como as advindas de animais domésticos e da vida selvagem infectam múltiplos hospedeiros. Seis fatores foram identificados como responsáveis pelo surgimento de doenças infecciosas emergentes ou re-emergentes (The Institute of Medicine 1992): I. Mudanças ecológicas, inclusive aquelas decorrentes do desenvolvimento econômico e uso da terra, 2. Demografia e comportamento humanos, 3. Viagens e comércio internacionais, 4. Tecnologia e industrialização, 5. Adaptação e mudança microbiológica e 6. Colapso das medidas de saúde pública. As implicações das doenças infecciosas emergentes e re-emergentes através das HAis (Health care Associated Infection) são enormes. Somente nas últimas duas décadas, doenças recentemente identificadas, vírus e bactérias causadoras de doenças resistentes a antibióticos mudaram a face da ciência médica e nos levou a repensar o design de nossas unidades de saúde. Entre esses, estão associados à grave síndrome respiratória aguda coronavírus (SARS-CoV), hantavírus, tuberculose resistente a múltiplas drogas, methicilin-resistant staphylococus aureus (MRSA) e vancomycin-resistant staphylococcus aureus (VRSA). Outros organismos resistentes a medicamentos estão emergindo como patógenos em pacientes imunocomprometidos, transplantados e implantados e pacientes submetidos a hemodiálise / peritoneal.

Foi identificado um novo gene, na klebsiella pneumonia, na Escherichia coli, na salmonela e em mais de meia dúzia de outras bactérias gran-negativas, que permite que os microrganismos destruam a classe de antibióticos normalmente usados nos derradeiros esforços para salvar pacientes, cujas infecções falharam em responder aos antibióticos padrões.

A enzima metalo-B-lactamase 1(NDM-1) de Nova Délhi foi identificada em três pacientes dos EUA, que receberam tratamento na Índia, onde o gene parece ter se originado. O gene altamente resistente ainda não afetou microrganismos que são espalhados pela tosse ou espirros, mas os microrganismos podem espalhar via esgoto contaminado, água, equipamento médico e higiene pessoal malfeita, como lavagem inadequada das mãos. A NDM-1, encontrada principalmente em infecções do trato urinário e pneumonia, é apenas um exemplo de um grave problema de saúde, disseminado como resultado de viagens longínquas (CDC 2010). As cepas virais emergentes são particularmente preocupantes porque algumas cepas parecem capazes de saltar espécies. A gripe é um exemplo. Embora os hospedeiros naturais sejam aves e porcos, certas cepas do vírus influenza periodicamente saltam espécies. Cada uma das cepas de influenza viral mais recentemente identificadas H1N1, H5N1, e SARS-CoV possui características próprias (fichas técnicas da OMS de 2006, 2008). Os coronavírus em humanos são responsáveis por infecções do trato respiratório e foram associados a gastroenterites (Lai e Holmes 2001). Os microbiologistas acreditam que o SARS-CoV é uma forma modificada de um coronavírus encontrado em um animal que tem contato com seres humanos (Sharma e Khuller 2001). Identificado pela primeira vez na província de Guangdong, no sul da China (Guan et al. 2003), a SARS (síndrome respiratória aguda grave) levantou preocupações por sua severidade e aparente facilidade de transmissão. A pandemia de influenza A 2009 (H1N1) tem dois genes de vírus da gripe encontrado em porcos na Europa e na Ásia, junto com genes aviários e humanos (Rambaut 2008). Desde o surgimento em 2009 do vírus H1N1 no México, A gripe H1N1 se espalhou para 156 países, com pelo menos 140.000 casos confirmados e 850 mortes (Dawood et al. 2009; Ginocchio et al. 2009). O vírus da gripe H5N1 é um subtipo do vírus influenza A, altamente contagioso e mortal entre os pássaros. A influenza aviária é geralmente transmitida entre aves pela via fecal-oral, mas a transmissão de aves para os seres humanos acredita-se que ocorra principalmente através do contato direto entre secreções de pássaros e a mucosa respiratória (CDC 2005). O vírus da gripe H5N1geralmente não infecta as pessoas. Quase todos os casos humanos apareceram em pessoas que tiveram contato direto ou próximo com aves infectadas com H5Nl ou superfícies contaminadas com H5N1. Houve pouquíssimos casos de transmissão de humano para humano. Estudos de vigilância indicam que a devida diligência por funcionários profissionais do hospital poderia ter um efeito profundo na redução de infecções associadas aos cuidados de saúde. Os HAls são causados por uma grande variedade de bactérias comuns e incomuns, fungos e vírus introduzidos durante os cuidados médicos. Com menor tempo de hospitalização como norma, uma grande porcentagem das HAis (infecções associadas a cuidados da saúde) ocorre em pacientes após a alta. As estratégias de vigilância de doenças são de extrema importância para determinar quais terapias e recursos de design poderiam ajudar a reduzir ou impedir a propagação de doenças infecciosas emergentes. As unidades de saúde devem coletar pelo menos três tipos de dados em seus esforços de vigilância (Jain e Singh, 2007): • Organismos predominantes no hospital e sua UTI • Padrões de resistência atuais desses organismos predominantes • Surtos de HAis envolvendo um ou mais organismos prevalentes Estratégias globais eficazes de vigilância de doenças são necessárias e devem ser apoiadas por um sistema de resposta rápida, para fornecerem um alerta sobre infecções emergentes. O sucesso de tais estratégias de vigilância depende de sua capacidade de identificar eventos incomuns precocemente. Conhecimento dos fatores subjacentes ao surgimento de uma doença podem ajudar a concentrar recursos nas situações e áreas em que a doença provavelmente afeta o mundo inteiro e facilita o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção (Morse, 1990, 1991). Farhad Memarzadeh, PhD, PE Tradução livre de Francisco Hernandes (www.franciscohernandes.com.br fch@alumni.usp.br). Correção: Prof. João Camilo

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